Quando Ruth Simmons lhe telefonou às 7 horas para contar que ele havia ganhado o Nobel de Literatura, sua primeira reação foi achar que a amiga estava vendo coisas. Mas não estava. Naquela manhã de 1993, Toni Morrison acabava de se tornar a primeira escritora negra a receber o prêmio, à época com seis romances já publicados – entre eles O olho mais azul, A canção de Solomon e Amada – e um horizonte sempre em vista: escrever para um público de leitores como ela.
As oito entrevistas deste volume testemunham a história de um país cindido, que legou à população negra as marcas abomináveis da exclusão. Sua bisavó e seu avô nasceram escravizados, e o pai fugiu do Sul aterrorizado pelos episódios de linchamento que testemunhou na adolescência: mas o lamento nunca esteve na ordem do dia. Em vez dos prejuízos, Morrison prefere contar a história do florescimento de um povo, do qual ela – na apoteose da tripla carreira de escritora, editora e professora – é uma das principais personagens.
A última entrevista: concedida ao jornalista italiano Alain Elkann, e outras conversas: mais sete ricos diálogos, abarcando um longo período de 1973 a 2018. Com apresentação da poeta Nikki Giovanni.

