João das Neves (1934 – 2018), diretor e dramaturgo brasileiro, foi contemplado com prêmios diversos como o Molière (vários), Bienal Internacional de São Paulo, APCA, Golfinho de Ouro e Quadrienal de Praga e manteve-se em atividade teatral de forma permanente e inovadora.
Com o Grupo Opinião, do qual foi um dos fundadores no Rio de Janeiro, em 1964, trabalhou até o fim da ditadura em 1984, buscando novos modelos dramatúrgicos e confrontando a realidade instaurada pelo regime militar.
Nas décadas seguintes, João das Neves faria uma série de bem-sucedidas experiências teatrais envolvendo temáticas e situações as mais diferenciadas, como o trabalho com atores não profissionais e várias encenações em espaços não convencionais.
Entre 1985 e 1992 viveu no Acre, tendo criado o Grupo Poronga e vivido com indígenas Huni Kuin, tema desta publicação.
A partir de 1992 mudou-se para Minas Gerais, onde sua produção teve forte diálogo com o teatro negro, o universo LGBTQIAPN+ e as questões feministas. Os espetáculos realizados em Minas pelo encenador foram registrados no livro “Estado de Arte – João das Neves e Minas Gerais”, lançado em 2022.
Ao longo de 6 décadas, João das Neves seguiu refletindo, discutindo, propondo e realizando espetáculos, seminários, concursos, palestras; escrevendo, adaptando, dirigindo, atuando e produzindo no teatro, na música, na poesia e no cinema. Foi um artista com ampla atuação, mas, sobretudo, um homem de teatro.